Uma das questões mais relevantes do mercado segurador, neste ano que se inicia, será o market share das principais companhias de seguros.
O estreitamento da concorrência entre não mais que dez grupos desencadeiará uma feroz busca por participação de mercado, que se dará de forma tradicional, por fusões, aquisições e de forma mais moderada, por busca de novos mercados e canais alternativos. Competição não é a virtude deste mercado oligopolizado.
A não tão surpreendente saída de milhares de corretores do mercado de seguros, identificada no recadastramento obrigatório, vai propiciar um melhor mapeamento e interação da índústria de seguros com a distribuição. O grande problema é a concentração das operações por escala, fomentada de forma perversa pelas seguradoras e que inviabiliza a maioria destes profissionais, representando um grande problema de longo prazo, uma vez que o desistímulo financeiro e operacional tende a cada vez mais reduzir este canal de distribuição, consequentemente a capilarização.
Na ponta do consumo, os clientes podem esperar um aumento substancial nas cotações de seus seguros, tanto pelo aumento da sinistralidade, como pela perda de eficiência do setor, aliado ao fato que a situação de crise mundial, que o país deve sentir com mais clareza já nos primeiros dias do ano, deve afetar a disposição de investimento no setor, que acompanha o desempenho econômico, portanto, esperando-se um decréscimo nas operações de modo geral e desistimulando investimentos estruturais. Demissões na indústria de seguros serão inevitáveis.
Com crescimento nos últimos anos bem acima dos outros segmentos, o mercado de seguros sentirá uma forte retração ao longo dos próximos dois anos e demandará uma regulação mais eficiente nas relações de consumo, tanto na precificação quanto no atendimento, que vem deixando a desejar, dado o alto número de ações na justiça e demandas nos órgãos de consumo.
Um ano que vai requerer reestruturação, reposicionamento e muito trabalho para os profissionais das seguradoras e corretores de seguros que no mercado permanecerem.
Luis Stefano Grigolin
Seguros, Resseguros, Previdência Privada, Saúde, Capitalização, Legislação e Intermediação de Seguros
Defesa do corretor de seguros
domingo, 28 de dezembro de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
Os corretores de seguros devem temer pelo futuro
Não obstante vários avisos feitos ao longo das últimas décadas, os corretores de seguros deparam-se hoje com um ambiente de muita competição desleal, mas absolutamente previsível.
Políticas equivocadas, acometidas em ondas sucessivas, por parte das entidades representativas de classe, veem simplesmente acelerando o processo.
Ao menospresarem as ameaças de corretoras ligadas às seguradoras, bancos, lojas de automóveis, montadoras de automóveis e vendas in store, aquelas por lojas de departamentos e afins, sempre com a constituição de nova corretora lhes dando suposta legalidade, incorrem num grave erro.
Ao tratarem a questão de forma inocente e simplória, como se um manto de legalidade estivesse na questão da fundação de uma corretora de seguros, abriu-se uma avenida para a concorrência desleal. Venda casada? Sim, mas muito bem maqueada!
A questão da ética passa pelas seguradoras que abrem precedentes de vendas destes canais, até orientando na abertura dessas corretoras.
No fundo não passa de sobreposição de canais, num mercado que está perdendo a referência na comercialização de produtos, tanto no que tange ao consumidor final, quanto à distribuição de seguros, lideradas pelos corretores.
A questão de induzir-se a adesão de pessoas jurídicas, inviabilizando os corretores pessoa física é outro erro capital, e uma omissão sem tamanho das lideranças de classe.
A bancarização e massificação de seguros deveriam enfrentar resistências das entidades de classe, que por outro lado, se satisfazem com patrocínios das mesmas seguradoras que realizam as práticas danosas.
O lodassau que permeia esta relação promíscua entre entidades sindicais e seguradoras não está relacionada com o fomento da produção de seguros, pois se assim fosse, estariam promovendo suas vendas com campanhas diretas aos produtores, muito mais eficientes e eficazes. Objetiva exatamente o imbróglio comercial e a névoa que incobre operações nem tanto honestas.
A saída para corretores de seguros é a negociação coletiva, sem a anuência de entidades que nos últimos anos vem demonstrando não estar nem aí para esta questão. E de uma incompetência a toda prova.
Luis Stefano Grigolin
quarta-feira, 21 de maio de 2008
É preciso mudar
O mercado de seguros sofreu mudanças significativas na sua estrutura de indústria e regulação na última década. Estas mudanças porém nem de perto foram acompanhadas pela distribuição de seguros, no seu principal canal, o de corretores de seguros.
Perdem com isto os consumidores de seguros que tem na figura do corretor de seguros o seu guardião, papel inclusive delegado pelos diplomas legais em vigência.
Procurar culpados é tarefa fácil, mas vamos pular esta parte e ir direto ao que interessa, precisamos é de soluções imediatas para os conflitos existentes.
Com este intuíto, passo a publicar aqui estudos e artigos, resultado de muito estudo e discussão sobre o tema por parte de pessoas idealistas que propõem soluções ao mercado, muito embora nem sempre são recebidos com bons olhos, uma vez que fere interesses e suscetibilidades.
Divulgar é preciso, para que mais agentes econômicos do mercado tomem ciência que há vida inteligente além das muralhas do sindicalismo, da liderança de classe, das entidades representativas e órgãos reguladores. A distribuição e o consumo foram esquecidas literalmente por esta casta que decide os rumos do mercado ao seu entendimento.
Estimular o debate e levar o problema ao consumo, aos órgãos de defesa do consumidor, à população em geral e aos legisladores. Esta uma tarefa hercúlea que buscamos no dia a dia.
Não custa nada lembrar que há um ano entregamos às entidades representativas de classe dos corretores e seguradores uma lista com os principais pontos sensíveis que ocasionam o declínio da profissão de corretores e que necessitavam de negociação.
São eles:
Seguros massificados
Micro-seguros
Restrição a aquisição de apólices por pessoas negativadas no SCPC/ Serasa
Custo de apólice
Padronizações de apólices
Formação de preços
Liberdade tarifária
Comissionamento na apólice
Carregamento de comissões
Vendas diretas das seguradoras
Vendas por Telemarketing/ Cartões de Crédito e In Store
Vendas casadas em concessionárias de veículos
Oferta de seguros grátis em publicidades
Venda nos balcões dos bancos e agora para toda a sua clientela
Prepostos
Regulamentação dos agentes
Oferta imperfeita para mesmo risco em uma mesma seguradora
Dumping
Variações absurdas de preços para repelir a aceitação
Cobranças de vistorias improdutivas
Concentração de mercado
Redução compulsória de comissionamento
Recolhimento de ISS na praça de origem do negócio
Delimitação geográfica ( praças de atuação)
Responsabilidade civil dos corretores de seguros
Sinistralidade atribuida ao corretor
Barreiras impostas por seguradoras ao exercício da profissão de corretor ilegalmente
Vendas de apólices no comércio por pessoas inabilitadas
Exercício ilegal da profissão de corretor de seguros
Corretores de seguros exercendo ilegalmente cargos públicos com aval da Susep
Lentidão das apurações de procedimentos na Susep
Ausência de punições
Falta de transparência e publicidade de procedimentos instaurados na Susep
Falta de atuação preventiva na fiscalização de mercado
Delegação do cadastro de corretores para exploração comercial de terceiros
Falta de fiscalização das fraudes em sinistros
Falta de controles efetivos das apólices emitidas
Concessão excessiva de descontos em apólices coletivas
Regulamentação das apolices coletivas e frotas
Devolução de prêmio e comissionamento por fora
Certificação e qualificação continuada elaborada de forma precária e insuficiente
Inadequação de atividades impostas no combate a fraude e lavagem de dinheiro
Solvência das seguradoras
Elevação exagerada dos capitais mínimos exigidos para funcionamento de seguradoras
Libertinagem na indicação de corretores de vida pelas seguradoras- mais valia
Estorno de comissões
Quantidade de ações na justiça em busca da indenização
Propaganda enganosa no mercado
Seleção de segmentos inteiros de riscos no ramo de atuação da seguradora (saúde individual, vida dos idosos, etc)
Uniformização de processos , procedimentos, condições gerais mínimas, roteiros de cálculos e clausulado
Formação de oligopólio
Formação de cartel
Dominação de mercados
Crimes contra a concorrência
Crimes contra a economia popular
Aquisições e fusões sem critérios por parte da autarquia
Atuação de plataformas
Atuação de assessorias
Remuneração de assessorias
Vistorias prévias – desterceirização e atuação do corretor
Certificação digital em descompasso com desenvolvimento do mercado para sua utilização nos negócios
DPVAT – Liquidação, informações, criação da seguradora do DPVAT, ações no MP
Seguros obrigatórios sem fiscalização da contratação
Ouvidorias das seguradoras sem a intermediação do corretor
Cancelamento de apólices dos idosos
Aviltamento e necessidade de parametrização das comissões
Formalização de contratos entre as seguradoras e os corretores
Diversidade no clausulado
Controle da manipulação de dados do cliente
Recuperação e ressarcimento de salvados
Venda de salvados e retirada de circulação de veículos com perda total
Multicálculos
Portabilidade de previdência e apólices
Renovação/Bonus
Perfil do segurado
Até o presente momento muito pouco se debateu sobre o assunto!
Depois não venham me dizer que eu não falei das flores!
Luís Stefano Grigolin
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